A nova BNCC (Base Nacional Comum Curricular) para o Ensino Médio foi aprovada pelo MEC aos 48 minutos do segundo tempo de 2018, por isso, ainda carece de regulamentação e muitas discussões com a sociedade civil organizada. Mas, de fato, podemos dizer que o Novo Ensino Médio já é uma realidade irreversível para todos os estabelecimentos de ensino que, até 2020, deverão se preparar para oferecer de um a cinco itinerários formativos, incluindo um eixo totalmente dedicado à educação profissional (formação técnica), além do aprofundamento nos quatro outros eixos: linguagens e códigos e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; e ciências humanas e suas tecnologias.

Em termos práticos, a partir de 2021, as escolas deverão ofertar no mínimo um e no máximo cinco itinerários formativos. Caso ofereçam apenas um, sua carga horária anual passará de 800 horas (em 200 dias letivos, com 4 horas por dia) para 1.000 horas (com 5 horas por dia). Oferecendo os cinco itinerários estabelecidos pela nova BNCC, a escola deverá optar pelo regime de tempo integral, onde o aluno poderá optar por um, dois, três, quatro ou os cinco itinerários possíveis. Neste último caso, a carga horária do ensino médio em tempo integral será de 1.400 horas anuais, com os mesmos 200 dias letivos, porém com 7 horas diárias.

Mas, o que isto representa para os estabelecimentos de ensino privados de todo o país?

Acreditamos que, inicialmente, as escolas optarão por oferecer um mínimo de itinerários formativos, mantendo seu foco na preparação para o ENEM, assim como ocorre hoje. No entanto, a tendência é que, com a concorrência cada vez mais acirrada, as escolas se esforcem em oferecer, gradativamente, um número cada vez maior de itinerários formativos, priorizando aquilo que realmente importa para o seu nicho de mercado. O próprio ENEM deverá se adequar à nova proposta de segmentação do ensino médio por itinerários formativos, segundo as novas diretrizes do Ministério da Educação.

As escolas mais conservadoras deverão oferecer aprofundamento em pelo menos dois desses itinerários: ciências da natureza (química, física e biologia) para atender ao público interessado nas áreas de engenharia e medicina; e em matemática e suas tecnologias para atender aos interessados em ciências exatas em geral.

Já os estabelecimentos cujo público alvo é o residente em áreas industriais e de menor poder aquisitivo deverão oferecer prioritariamente o eixo da educação profissional, com de três a cinco opções de cursos técnicos como alternativas de profissionalização de seus alunos. Vale salientar que existem mais de 200 cursos técnicos catalogados pelo MEC no CNCT (Cadastro Nacional de Cursos Técnicos). Desse modo, ao concluir o ensino médio, além da formação geral e específica nas áreas de maior interesse, o aluno poderá sair com mais uma certificação: o diploma de técnico de nível médio em um dos cursos oferecidos durante os três anos de seu ensino médio.

Mas, que cursos oferecer para este aluno?

Aí é onde nascem os problemas, a começar pelos seguintes questionamentos:

  • Como prever demandas sem correr o risco da pulverização de opções entre tantos cursos técnicos possíveis?
  • Como obter professores especializados para lecionar disciplinas técnicas? Os professores do ensino médio poderão ser aproveitados?
  • E quanto aos laboratórios? Será que as escolas terão que investir pesado neles?

Vão aí duas dicas importantes para solucionar de vez este problema:

Primeira: oferecer cursos técnicos na modalidade a distância (EAD). Isso mesmo. Com a oferta de cursos técnicos a distância o estabelecimento de ensino deixará de se preocupar com a pulverização de alunos em várias opções de cursos, evitando evasão de suas turmas. Atualmente a legislação permite que seja oferecida até 30% da carga horária do ensino médio a distância (20% no período diurno ou 30% no noturno). Na prática, os estabelecimentos de ensino poderão ofertar todo o itinerário técnico-profissional 100% a distância, desde que os outros itinerários sejam oferecidos presencialmente.

Por exemplo, se um estabelecimento de ensino deseja ofertar os 5 itinerários formativos como alternativas para seus alunos, ele poderá oferecer 4 deles presencialmente e um inteiramente a distância, o que resultará em 20% de carga horária a distância em relação à carga horária de todos os itinerários juntos.

Mas, podemos ir além! Se considerarmos a legislação ao pé da letra, este percentual de 20% ou 30% pode ser calculado em função da carga horária total do ensino médio, incluindo o ciclo de formação geral, ou seja, além dos cursos técnicos, ainda há espaço para oferecer parte dos itinerários ditos “específicos” a distância, como o de ciências humanas e suas tecnologias, por exemplo.

Mas, e quanto aos laboratórios?

De fato, temos um problema, pois a legislação vigente exige cargas horárias práticas de 20% a 50% oferecidas presencialmente, especificamente para cursos como enfermagem, radiologia, edificações, etc.

Contudo, há uma luz no final deste túnel, então vai aí a segunda dica: ao escolher de 3 a 5 cursos técnicos a serem ofertados aos seus alunos (um número considerado razoável para início de oferta), a escola poderá priorizar aqueles que necessitem de pouca ou nenhuma carga horária laboratorial.

Por exemplo, na área de saúde, o curso de “Nutrição e Dietética” ou o de “Cuidados de Idosos” pode ser ofertado ao invés de “Enfermagem” ou “Radiologia”, que usam bem mais laboratórios. Um outro exemplo pode ser aplicado na área de infraestrutura. Neste caso sugerimos o curso técnico de “Eletrônica” ao invés de “Mecânica”. O primeiro conta com kits e simuladores de mais baixo custo em relação ao segundo. Mas, o grande trunfo está mesmo na área de gestão e negócios, onde podem ser oferecidos inúmeros cursos sem qualquer necessidade de práticas laboratoriais, como técnico em “Administração”, “Contabilidade”, “Finanças”, “Negócios Imobiliários”, “Secretariado”, “Logística”, “Recursos Humanos”, “Gestão Escolar”, entre muitos outros.

Então? Você é proprietário ou dirigente de um colégio ou escola de ensino médio? O que acha de oferecer mais de 10 cursos técnicos a distância e sair na frente da concorrência? A Editora Telesapiens está pronta para fazer sua escola bombar com o Novo Ensino Médio já a partir de 2020. Para isto, comece já o seu planejamento em 2019. Conte com a gente!